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NBR 14837 de 04/2017: a determinação da temperatura interna do calçado

Como deve ser feita a colocação do sensor de temperatura na região superior do pé? Qual o nível de conforto da temperatura interna do calçado (específica para botas e coturnos profissionais)? Essas perguntas estão sendo respondidas no texto sobre a determinação da temperatura interna do calçado.

17/05/2017 - Equipe Target

A qualidade dos calçados

A NBR 14837 de 04/2017 - Calçados — Determinação da temperatura interna do calçado estabelece o método para determinação da temperatura interna do calçado em um ensaio de 30 min de marcha em esteira. Esta norma não é aplicável aos calçados abertos, como sandálias e chinelos.

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Como deve ser feita a colocação do sensor de temperatura na região superior do pé?

Qual o nível de conforto da temperatura interna do calçado (específica para botas e coturnos profissionais)?

Quanto aos corpos de prova, a amostra consiste em três pares de calçados do mesmo modelo/referência. Os ensaios utilizando calçados femininos devem ser realizados com os pares de numerações 35, 36 e 37; para calçados masculinos, devem ser utilizados pares de numerações 40, 41 e 42; para os calçados infantis, devem ser utilizados três pares de numerações diferentes da mesma classificação e/ou de acordo com a grade de fabricação, a menor, a do meio e a maior numeração. Conforme NBR 14834, esta norma se aplica à classificação Infanto (numerações 24 - 27) e Infantojuvenil (numerações 28 - 34).

Para a classificação Bebê e Pré-Infanto, esta norma não se aplica. A aparelhagem e os acessórios necessários para a execução do ensaio são: sensor de temperatura com indicador digital, com resolução de 0,1 °C e incerteza inferior a ± 0,3 °C; esteira ergométrica, com controle e indicador de velocidade; fita hipoalergênica com dimensões aproximadas de 20 mm × 40 mm para fixação do sensor de temperatura no modelo infantil e com dimensões aproximadas de 30 mm × 50 mm para fixação do sensor de temperatura no modelo adulto; e um par de meias conforme a NBR 14834.

No caso de calçados fechados, fixar o sensor com a fita hipoalergênica, no pé direito do modelo de calce, na região superior entre a cabeça dos metatarsos e peito do pé, a 15 mm (± 2 mm) do ponto médio entre a cabeça do metatarso I e a cabeça do metatarso II. No caso de calçados abertos na região do peito do pé (exemplo scarpin, mule, sapatilha etc.), fixar o sensor na região superior da cabeça dos metatarsos/dedos (entre metatarso I e metatarso II), estando o sensor no mínimo a 5 mm da extremidade do cabedal (sob o cabedal); vestir um par de meias conforme a NBR 14834. Para calçados abertos não se aplica o uso das meias.

Antes de iniciar o ensaio, o modelo de calce deve permanecer descalço em um ambiente climatizado, conforme 5.2, por um período mínimo de 10 min. Estabilizar a temperatura com os pés descalços, dentro da faixa de temperatura de 28 °C a 31 °C, por um período de 1 min a 2 min. Após a estabilização, calçar a meia e o calçado a ser ensaiado e iniciar o ensaio com temperatura inicial entre 28 °C a 31 °C. Registrar os dados da temperatura inicial e da temperatura final no término de 30 min, com o modelo de calce caminhando a uma velocidade de 4 km/h (± 5 %) para calçados femininos e a 5 km/h (± 5 %) para calçados masculinos. Para calçados infantis, utilizam-se atividades recreativas (caminhar, correr, saltar, brincar) durante 30 min. Para a classificação Infantojuvenil, utilizar 5 min de caminhada em esteira ergométrica, a uma velocidade entre 3 km/h a 4 km/h, intercalados de 5 min a 10 min de atividades recreativas (dependendo da idade e das habilidades motoras da criança); e) monitorar a velocidade da esteira durante o ensaio, com auxílio do display de velocidade, para garantir que a velocidade esteja na faixa definida.

Deve-se calcular a variação de temperatura interna do calçado e repetir os procedimentos anteriores para as demais numerações, conforme a Seção 4. Calcular o resultado final da variação da temperatura interna a partir do valor médio da variação de temperatura interna para os três calçados ensaiados e determinar a pontuação e o nível de conforto da temperatura interna do calçado. A avaliação do nível de conforto da temperatura interna do calçado é feita pelo resultado final da variação da temperatura interna, sendo classificada conforme as tabelas abaixo.

Clique na imagem acima para uma melhor visualização

O relatório de ensaio deve conter as seguintes informações: os métodos utilizados e resultados obtidos, mencionando todos os desvios desta norma; todos os esclarecimentos necessários para a completa identificação dos corpos de prova, inclusive a numeração dos calçados utilizados para o ensaio; descrição das condições ambientais de temperatura e umidade do ambiente do laboratório durante a realização dos ensaios; valor do resultado final da variação de temperatura e sua respectiva pontuação; o nível de conforto da temperatura interna do calçado; a foto do calçado (vista lateral e inferior); e a data e nome do responsável pelos ensaios.

Importante, afirmar que os calçados são complementos essenciais no modo de vida humano, uma vez que têm por princípio a proteção da extremidade dos membros inferiores. Além desse aspecto funcional, esses produtos tornaram-se fundamentais no que refere à moda. Sendo um produto de interface com o pé humano, os calçados devem ser projetados a partir de parâmetros ergonômicos, com destaque para os aspectos perceptivos dos usuários.

A ergonomia, em seus princípios metodológicos, pode contribuir no estudo dessa interface, fornecendo parâmetros científicos para o design ergonômico desse produto. O conceito de moda surgiu em meados do século XIV e está diretamente relacionado a vestimentas, muitos afirmam que a moda é uma forma especializada de ornamentar o corpo, fazendo crer que todo elemento usado no corpo de forma decorativa pode ser compreendido como produto da moda.

Assim, os produtos destinados ao consumo, como o vestuário, denotam mudanças nos aspectos sociais, econômicos, ambientais e mercadológicos. Para a moda, os calçados representam um ícone da transformação, pois os modelos podem evidenciar tanto passado quanto futuro. Os materiais utilizados para a confecção seguem a tendência de moda atual, bem como modelos, alturas e formatos de salto. A variabilidade de modelos e exemplos de calçados pode revelar uma atração indefinível por um par de sapatos, fazendo aflorar fantasias pessoais. Atualmente, é natural que a preocupação com o produto da moda, o calçado, esteja ligada às condições econômicas e aos hábitos dos indivíduos, muito mais que as propostas dos designers em oferecer novos estilos. Assim, a cultura determina como será a produção dos calçados e o seu uso, como no caso dos calçados femininos de salto alto.

Do ponto de vista anatômico, a condição humana é constituída pelo denominado pé, o qual foi se caracterizando (na evolução humana) como elemento e sistema de apoio e equilíbrio (neste último caso, associado às demais regiões anatômicas do corpo humano) do corpo sobre o solo, mantendo-o ereto, além de ser a peça fundamental do processo de locomoção humana. Sua forma e sua estrutura interna atuam como um suporte ou pedestal para o corpo e, ao mesmo tempo, como um sistema de alavancas que o impulsionam durante o ato de caminhar, correr, saltar, e como elemento amortecedor dos impactos que recebe do solo.

É talvez um dos mecanismos vitais do corpo humano mais negligenciado, mas, ainda assim, capaz de cumprir sua tarefa, mesmo sob as mais adversas condições e pressões, graças à sua estrutura perfeita. O apoio do pé pode ser caracterizado por três classes: normais ou neutros, cuja impressão na superfície de apoio demonstra uma ligação entre o antepé e o calcanhar; côncavo, ou arcado/supinado, cujo arco pode ser tão acentuado que na sua impressão pode não ocorrer a ligação entre o antepé e o calcanhar; e chato, ou também denominado de pronador excessivo, caracterizado por apenas um pequeno arco impresso, tocando praticamente todo o chão, com a sola plana. O pé chato é o que mais sofre com calçados, pois, muitas vezes, estes não são desenvolvidos para esse tipo de pé.

A maioria das abordagens do projeto ergonômico depende da percepção de uso por parte dos usuários de um determinado produto, e essa percepção é decorrente de alguns critérios de avaliação. Os principais critérios utilizados na avaliação de um produto são o desconforto (critério negativo) e o conforto (critério positivo). Ao considerar o conforto a partir do uso de calçados, pode-se argumentar que calçado confortável é aquele que não expõe os pés a enfermidades ou deformações, mas isso só não garante a caracterização e a definição desse conceito.

O conforto é uma condição de bem-estar com ausência de dor, desconforto e estresse, definida a partir de uma sensação de desconforto. Assim, enquanto os aspectos fisiológicos do conforto estão relacionados ao funcionamento do corpo humano, envolvendo ações de regulação involuntárias, os aspectos psicológicos referem-se ao conforto mental e estão associados a questões como autoimagem, identidade e individualidade.

FONTE: Equipe Target

Baseado nos documentos visitados

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