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NBR 15595 de 11/2016: como aplicar o acesso por corda

Como pode ser visto um exemplo de utilização do encordoamento? Como podem ser vistos os exemplos, não exaustivos, de ancoragem em pontos distintos? Quais os exemplos, não exaustivos, de proteção de corda? Quais os exemplos de considerações para a análise de risco? Essas perguntas estão sendo respondidas no texto sobre o acesso por corda.

30/11/2016 - Equipe Target

Acesso por corda

A NBR 15595 de 11/2016 - Acesso por corda — Procedimento para aplicação do método estabelece uma sistemática para aplicação dos métodos de segurança do profissional, de sua equipe e de terceiros no acesso por corda. Aplica-se às atividades de ascensão, descensão, deslocamentos horizontais, resgate e autorresgate dos profissionais e da equipe de acesso por corda, com restrições, em combinação com dispositivos têxteis e mecânicos de ascensão, descensão e de segurança, para o posicionamento em um ponto ou posto de trabalho, estando em locais de difícil acesso, onde cordas são utilizadas como os principais meios de acesso.

Esta norma se aplica à utilização dos métodos para acessar estruturas (on shore e off shore) ou ambientes com características naturais (encostas), nos quais as cordas estão conectadas a estruturas construídas ou naturais. Não se aplica às atividades de esporte de montanha, turismo de aventura e de serviços de emergência destinados a salvamento e resgate de pessoas que não pertençam à própria equipe de acesso por corda.

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Como pode ser visto um exemplo de utilização do encordoamento?

Como podem ser vistos os exemplos, não exaustivos, de ancoragem em pontos distintos?

Quais os exemplos, não exaustivos, de proteção de corda?

Quais os exemplos de considerações para a análise de risco?

Pode-se definir o acesso por corda como a técnica de progressão utilizando cordas, em conjunto com outros equipamentos mecânicos, para ascender, descender ou se deslocar horizontalmente no local de trabalho, assim como para posicionamento no ponto de trabalho. Esta norma foi desenvolvida para estabelecer regras e orientar profissionais e empresas que utilizam os métodos de acesso por corda. É reconhecido que a segurança e a aplicação dos métodos de acesso por corda dependem da capacidade do profissional que está responsável pela sua execução.

Os procedimentos têm por objetivo garantir que os profissionais que desempenham a atividade mencionada a realizem de forma eficiente e segura. Considera-se acesso por corda a técnica de progressão utilizando cordas, com outros equipamentos para ascender, descender ou se deslocar horizontalmente, assim como para posicionamento no local de trabalho, normalmente incorporando dois sistemas de segurança fixados de forma independente, um como forma de acesso e o outro como corda de segurança utilizado com cinturão de segurança tipo paraquedista.

A dupla proteção é um princípio fundamental de segurança para acesso por corda. O trabalhador usa uma corda de trabalho além de uma corda de segurança ancorada de forma independente da corda de trabalho. Qualquer que seja a falha em um dos sistemas de suspensão, existe outro adequado para prevenir um acidente.

As atividades devem ser realizadas por profissional qualificado conforme a NBR 15475. Para cada trabalho de acesso por corda, o supervisor de acesso por corda deve elaborar um procedimento de trabalho contemplando o método a ser utilizado, os trabalhos por especialidade a serem realizados, os riscos potenciais do trabalho e as medidas a serem adotadas para eliminá-los e/ou controlá-los.

O procedimento de trabalho deve considerar as interferências externas ou riscos adicionais que possam comprometer a integridade dos equipamentos e cordas, e pode contemplar o plano de resgate. Os trabalhos de acesso por corda devem ser precedidos de uma avaliação em campo pelo supervisor que irá elaborar o procedimento de trabalho.

Na atividade de acesso por corda, são obrigatórios no mínimo dois profissionais de acesso por corda. Dependendo do nível de risco do trabalho, podem ser utilizados três ou mais profissionais, sob supervisão direta ou remota, dependendo do risco avaliado.

O profissional nível 2 que atenda aos requisitos pode exercer a supervisão direta, elaborar o procedimento de trabalho e o plano de resgate somente em trabalhos verticais simples em ambiente urbano, desde que possua treinamento específico. A supervisão remota exercida pelo profissional nível 3 é admitida em trabalhos sobre a terra, nos trabalhos verticais simples ou complexos, em ambientes urbanos ou industriais, com acompanhamento no local de um profissional nível 2 responsável pela equipe, indicado e registrado formalmente pelo nível 3.

Devido à multiplicidade de áreas, serviços e atividades a que a técnica de acesso por corda é aplicada, o tipo de supervisão a ser utilizado deve ser definido durante a elaboração da análise de risco e/ou no procedimento de trabalho. Quando em trabalhos sobre a água, o colete salva-vidas ou os flutuadores devem dar segurança ao profissional no caso de, acidentalmente, se soltarem durante uma queda. Estes equipamentos de proteção não podem obstruir ou impedir a atividade dos equipamentos de acesso por corda do profissional.

Para trabalhos em suspensão por longa duração, deve ser utilizado o assento conforto, quando definido na análise de risco. O supervisor da equipe de acesso por corda deve verificar o local de trabalho quanto às condições de segurança, discutidas e acordadas na análise de risco, e se houve alguma mudança no cenário que necessite ações corretiva e/ou preventiva, ou até mesmo a elaboração de uma nova análise de risco.

Queda alguma deve causar no profissional impacto contra qualquer superfície. Por isto, a análise de risco deve sempre contemplar o risco de impacto, para que sejam discutidas e aplicadas medidas que venham a eliminar ou controlar este risco. As zonas de exclusão devem ser estabelecidas, não se limitando apenas ao topo e à base do local de trabalho onde será realizado o serviço com acesso por corda.

Para cada trabalho de acesso por corda, o supervisor de acesso por corda deve elaborar o plano de resgate dos profissionais de sua equipe. Quando a técnica de acesso por corda for adotada para serviços em planos inclinados, como trabalhos em taludes, encostas, contenções, telhados, silos, etc., o profissional de acesso por corda sempre deve estar conectado à corda de segurança através do trava-quedas, e conectado à corda de trabalho através do descensor ou através do ascensor ventral em conjunto com o ascensor de punho.

As técnicas de acesso por corda podem ser aplicadas desde atividades em tensão ou suspensão, incluindo travessia, progressão artificial ou progressão guiada. Como algumas destas técnicas podem resultar em quedas, só devem ser usadas depois de uma identificação específica de perigo e avaliação de risco e escolha apropriada de equipamento de acesso e proteção contra quedas. Somente profissionais qualificados podem elaborar e executar este tipo de trabalho com acesso por corda.

Todos os equipamentos utilizados para a atividade de acesso por corda devem ter o registro rastreável com o histórico de aquisição e inspeção, com o objetivo de permitir o controle do uso e da vida útil. Os equipamentos utilizados para a realização da técnica de acesso por corda devem ser armazenados e receber manutenção conforme recomendação do fabricante. As informações do fabricante e fornecedor, como o número de série do equipamento e a nota fiscal, devem ser mantidas com a finalidade de obter rastreabilidade.

Uma sistemática de inspeção para os equipamentos destinados à atividade de acesso por corda deve ser efetuada na aquisição ou recepção e periodicamente. O intervalo entre as inspeções periódicas não pode ser superior a seis meses para equipamentos. As inspeções devem ser realizadas por um profissional capacitado, e os detalhes de todas as inspeções devem ser registrados, inclusive o descarte.

Um exemplo dos itens mínimos a serem verificados encontra-se no Anexo A. Todos os equipamentos devem ser inspecionados rotineiramente antes e depois de cada uso. O profissional de acesso por corda deve saber inspecionar e utilizar os seus equipamentos, incluindo um entendimento de quando os equipamentos devem ser retirados de serviço.

As cordas de trabalho e de segurança devem ser do tipo alma e capa de baixo coeficiente de alongamento, tipo A, em conformidade com a NBR 15986. O cinturão de segurança tipo paraquedista deve ser ajustável, de forma adequada e ergonômica, sobre o corpo do profissional, para sustentá-lo em posicionamento, restrição, suspensão, sustentação, durante uma queda e depois de sua detenção. Equipamentos ou sistemas de descida (sobre a corda de trabalho) devem ser autoblocantes (se o profissional perder o controle, eles param automaticamente sem o uso das mãos).

Como boa prática, recomenda-se utilizar equipamentos ou sistemas com função antipânico. A força de impacto sobre um profissional em qualquer queda nunca pode ser superior a 6 kN. Para tanto, o talabarte deve limitar a força de impacto, e o trava-quedas deve ser posicionado a uma altura que minimize o fator de queda.

O encordoamento deve ser individual e possuir comprimento máximo da extensão do braço. Os nós utilizados para a terminação do encordoamento podem ser dos tipos oito com alça, nove com alça, pescador duplo (barrel), ou terminais costurados. O encordoamento não substitui e não pode ser utilizado como talabarte.

Quando estiver sendo utilizado em manobras de deslocamento, o ascensor de mão deve estar sempre conectado à argola ventral do cinturão de segurança tipo paraquedista, do profissional de acesso por corda, por meio de um encordoamento. Todo profissional, ao utilizar o método de acesso por corda, deve utilizar duas cordas em sistemas de ancoragem independentes, de modo que, em caso de falha de uma, o profissional não sofra uma queda. (ver figura abaixo)

Clique na imagem acima para uma melhor visualização

Este é o princípio da dupla proteção, que é essencial para garantir pelo menos uma alternativa de segurança para prevenção de queda de profissionais. Isto significa que, qualquer que seja a falha em um sistema de suspensão, há um apoio adequado para prevenir um acidente. Todo profissional, ao utilizar o método de acesso por corda, deve estar conectado em dois pontos de ancoragem independentes, de modo que, em caso de falha de um, o profissional não sofra uma queda.

Quando utilizados em carga estática e sem risco de impacto/fator de queda, os ascensores de punho ou ventral são considerados, cada um, ponto de conexão. Um profissional nível 2 só pode estar em supervisão remota, ou exercer supervisão direta nos trabalhos verticais simples em ambiente urbano, se possuir 1 250 h de trabalho e 15 meses de experiência como nível 2 e se tiver sido supervisionado diretamente por um profissional nível 3 em todo este período.

A análise de risco deve ser elaborada por profissionais treinados em análise de risco, em conjunto com as partes envolvidas, com a participação do supervisor de acesso por corda , e do Nível 2 que for estar sob supervisão remota. Considerações podem ser vistas no Anexo B.

A análise de risco deve identificar os riscos previsíveis no trabalho, incluindo aqueles que afetem a outras pessoas além dos profissionais que estão envolvidos no serviço, e definir os passos a serem seguidos para que os riscos sejam reduzidos. A análise pode também incluir referência aos padrões de treinamento, competências dos profissionais, da organização, das equipes de trabalho e procedimentos de trabalho e resgate.

FONTE: Equipe Target

Baseado nos documentos visitados

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