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Vidros antichamas e corta fogo: uma tendência que está chegando ao Brasil

Ainda não fabricados no Brasil, os vidros antichamas e corta fogo são capazes de bloquear as chamas no caso de incêndios e seu uso vem sendo disseminado entre arquitetos e especificadores que buscam um diferencial tecnológico e de segurança em projetos que vão de clínicas e hospitais a escritórios e edifícios comerciais.

01/07/2015 - Equipe Target

Vidros especiais resistentes a fogo

Existem dois tipos de vidros resistentes ao fogo: o antichamas e o corta fogo. As diferenças entre os dois incluem a fabricação e o serviço que prestam. O vidro antichamas tem função de bloqueador do fogo. Como barreira física, ele impede que as chamas e os gases se alastrem de um ambiente a outro. Já o corta-fogo, além de bloquear as chamas e gases, também impede que o calor seja transmitido, ou seja, cria vedação térmica.

Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro), o antichamas é um vidro temperado que, em seu processo de fabricação, recebe a adição de outros materiais para ficar mais resistente ao fogo. O boro é um dos produtos mais usados nessa mistura e é daí que vem o termo borofloat para vidros resistentes ao fogo.

O vidro é fabricado em chapas planas e vendido sob medida, pois passa pelo processo de têmpera; logo, não pode ser cortado. Em geral, o antichamas é usado de forma monolítica, mas também pode ser laminado com polivinil butiral (PVB) para prevenir o estilhaçamento. Sua espessura varia de 5 a 12 mm e o tempo de exposição ao fogo suportado por ele vai de 15 a 120 minutos.

De maneira geral, estes tipos de vidros são indicados principalmente para escritórios que necessitam de compartimentação, em saídas de emergência e rotas de fuga de locais públicos como shopping centers, estações de trem e aeroportos, além de coberturas e laterais de túneis e fachadas de prédios. Os custos mais altos e a dificuldade de adequação às normas brasileiras estão entre os principais fatores que limitam a difusão dos vidros resistentes a fogo no Brasil. Por ainda serem importados, esses vidros acabam sendo mais caros do que as soluções tradicionais, sendo que a concorrência com o aço e a não exigência desse material por parte do corpo de bombeiros são outros aspectos que limitam a expansão do produto.

A resistência também está ligada à área da peça. Um vidro antichamas com integridade garantida por duas horas não poderá ultrapassar 3,53 m². Já para integridade de uma hora, a área máxima não poderá passar de 4,08 m². Em ambos os casos, essa relação independe da espessura.

Nos vidros corta fogo a resistência tem relação direta com a quantidade de camadas de gel intumescente aplicadas na composição. Dessa forma, uma resistência de 60 minutos pode ser alcançada com um vidro duplo, mas para 120 minutos será preciso pelo menos um vidro quádruplo. Dentro dos limites da obra, é possível estender o número de camadas de gel e vidro (e a espessura, por consequência) para se obter o nível de proteção desejado.

No caso de fogo, o gel perde água e se expande. O fenômeno faz com que o vidro fique opaco – diferente do antichamas que permanece transparente em situação de incêndio. Mas esse evento só acontece mesmo na incidência de fogo, ou seja, um dia ensolarado e de altas temperaturas não é suficiente para ativar o gel.

A resistência do vidro corta fogo tem relação direta com as camadas de gel existentes no vidro laminado. Dessa forma, uma resistência de 60 minutos pode ser alcançada com um vidro duplo, mas, para ter 120 minutos, será preciso pelo menos um vidro quádruplo. Dentro dos limites da obra, é possível estender o número de camadas de gel (e vidro, por consequência) para se obter o nível de proteção desejado.

Quanto à normalização, no Brasil, existe a NBR 14925 de 02/2003 - Unidades envidraçadas resistentes ao fogo para uso em edificações que fixa os requisitos exigíveis para unidades envidraçadas resistentes ao fogo, que contêm vidro transparente ou translúcido, para uso em edificações. Estabelece os requisitos, por unidades envidraçadas, não apenas do vidro, mas todos os componentes de um envidraçamento, como caixilhos, tamanho do painel, método de fixação e tipo de construção adjacente. Também indica as seguintes classificações de unidades envidraçadas: classes RE e REI – a primeira garante resistência mecânica e estanquidade; a outra proporciona também o isolamento térmico.

Igualmente, a NBR 10636 (MB2179) de 03/1989 - Paredes divisórias sem função estrutural - Determinação da resistência ao fogo prescreve método de ensaio, classifica e gradua quanto à resistência ao fogo, as paredes e divisórias sem função estrutural, não tratando, porém, da toxicidade dos gases emanados pelo corpo de prova durante a realização dos ensaios. Quanto às normas internacionais, BS 476: Part 22 estabelece os testes de fogo em estruturas e materiais de construção e métodos para a determinação de resistência ao fogo em elementos que não suportam carga. Já a BS em 1363-1, da União Europeia, estabelece os requisitos gerais para testes de resistência ao fogo.

Enfim, um vidro resistente ao fogo pode combinar as mais relevantes características dos vidros que se têm hoje: isolamento térmico, controle solar, serigrafia, isolamento acústico e segurança contra acidentes. Por isso mesmo, pode ser utilizado em diversas aplicações: divisórias de escritórios, saídas de emergência, rotas de fuga, locais públicos de difícil evacuação (shopping centers, estações de trem, aeroportos), coberturas e laterais de túneis, fachadas de edifícios e várias outras.

Além de mais segurança para os civis, o vidro também facilita o trabalho dos bombeiros no caso de um incêndio. O motivo é a transparência. O fato de o bombeiro ou os ocupantes poderem ver através de uma porta sem precisar abri-la pode salvar essas pessoas de adentrar em locais que estão com fogo ou correm o risco de explosões. Outra coisa importante é que o vidro diminui a sensação de enclausuramento para pessoas mais aflitas.

FONTE: Equipe Target

Baseado nos documentos visitados

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