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Cadeiras de escritórios têm que cumprir a norma técnica para evitar acidentes

Uma cadeira do escritório é um assunto de fundamental importância para saúde e para o desempenho no trabalho. E são muitos os aspectos a considerar: modelos, acabamentos, sistemas, ergonomia, etc. Além do que esses produtos necessitam obrigatoriamente cumprir a norma técnica.

25/03/2015 - Equipe Target

Cadeiras de escritórios devem aliar à tecnologia ergonômica, leveza e modernidade

Mauricio Ferraz de Paiva

Antigamente, os modelos de cadeiras de escritórios ocupavam muito espaço, eram pesados e pareciam desenhados com o senso de estética de um mecânico. Com a criatividade dos designers, sobretudo italianos e alemães, as cadeiras ficaram mais compactas e aliaram à tecnologia ergonômica leveza e modernidade.

Desse modo, podem equipar os locais de trabalho para a execução das tarefas profissionais. Para ser considerada ergonômica, uma cadeira deve dispor de regulagem de assento, encosto e braços. Tem de ser, ainda, giratória e possuir rodízios.

As de melhor qualidade são fabricadas com rodas cujo material não marca o piso, espuma injetada em vez de laminada, para prevenir deformações, e revestimento de boa respirabilidade, como couro natural e tela elástica. Entre o escritório de casa e o da empresa, a estimativa é que uma pessoa passe, em média, de seis a oito horas por dia sentada. Dessa forma, o mínimo que uma cadeira deve oferecer são recursos para manter as pernas e a coluna em posição correta.

O ideal é que cotovelos estejam sempre apoiados, enquanto os braços fiquem na mesma altura do teclado (180° em relação ao apoio). Punhos tensos geram esforço repetitivo e, com o tempo, lesões. Mas há também cadeiras cujos braços se movimentam horizontalmente, para dentro e para fora, possibilitando maior adaptação à atividade realizada.

A profundidade do assento não é menos importante: sentado, o usuário deve estar com a coxa inteira sobre o assento (estabilidade e conforto), e com os pés apoiados sobre o chão, num ângulo de 90º em relação à tíbia. Joelhos também ficam dobrados e relaxados em 90º, em relação ao assento. Um bom adicional é que a cadeira recline, fazendo leve movimento para trás que exerça pressão sobre as costas – necessário para relaxar durante o trabalho. Hoje, boas cadeiras têm encostos que se movimentam para frente, para trás, mas também permitem movimentos para a direita e para a esquerda, sobre encostos flexíveis.

A NBR 13962 2007 de 12/2006 - Móveis para escritório - Cadeiras - Requisitos e métodos de ensaio especifica as características físicas e dimensionais e classifica as cadeiras para escritório, bem como estabelece os métodos para a determinação da estabilidade, da resistência e da durabilidade de cadeiras de escritório, de qualquer material, excluindo-se longarinas e poltronas de auditório e cinema. Esta norma especifica os métodos de ensaios baseados em cadeira com uso de 8 h ao dia por pessoas com um peso até 110 kg. Para condições de uso mais severas, serão necessários outros requisitos.

As cadeiras giratórias operacionais são classificadas segundo os tipos A, B ou C, conforme apresentem obrigatoriamente (O) ou facultativamente (F) os dispositivos de regulagem. A recomendação de um tipo de cadeira para um posto de trabalho é feita com base na análise ergonômica do trabalho. Pode-se tomar como diretrizes gerais: para um posto de trabalho que envolva habitualmente atividades com o uso de equipamentos informatizados (teclado, mouse, terminal de vídeo), é recomendado o uso de cadeiras do tipo B ou A; para um posto de trabalho que envolva rotatividade acentuada de operadores de diferentes constituições físicas (trabalho em três ou mais turnos, postos de teleatendimento, etc.), é recomendado o uso de cadeiras do tipo A.

As dimensões presentes nesta norma são baseadas em requisitos contrastantes de medidas antropométricas, projeção mecânica, preferências sugestivas e outros fatores. Em geral são adaptadas para pessoas com estatura compreendidas entre 1.510 mm e 1.920 mm. Pessoas com estaturas fora deste intervalo necessitam de cadeiras com dimensões diversas ou de um apoia pé.

Foi adotada uma referência de postura ao sentar. Não corresponde à postura ao sentar ideal ou ótima. A referência da postura utilizada foi a seguinte: a planta do pé apoiado sobre o piso; o pé formando um ângulo aproximado de 902 com a tíbia; a tíbia aproximadamente na posição vertical; a tíbia formando um ângulo aproximado de 902 com a coxa; a coxa na posição mais horizontal; a coxa forma um ângulo aproximado de 90 o com o tronco; e o tronco ereto.

Para o procedimento de medição, um gabarito de carga, composto por base de formas arredondadas, massas fixas e móveis, e haste guia, deve ser posicionado sobre o assento, simetricamente ao plano mediano, de modo que o centro de gravidade da massa principal esteja contido: para cadeiras giratórias, no eixo de rotação da cadeira; para todos os outros tipos de cadeiras, no ponto A, localizado com o auxílio do gabarito de posicionamento de carga em cadeiras fixas.

O assento e o encosto devem ser respectivamente posicionados tão próximos da horizontal e da vertical quanto possível. A massa móvel deve ser posicionada de modo que a face do fundo de seu entalhe contenha a linha vertical tomada pela borda frontal do assento.

As tolerâncias aplicáveis ao gabarito de carga são de ± 1 mm em dimensões nominais e ± 2% em massas nominais. Antes de serem feitas as medições, o assento deve ser carregado e descarregado cinco vezes por um período de 10 s.

A profundidade do assento é a distância horizontal da borda anterior do assento à projeção vertical do ponto X, medida no plano mediano, desconsiderando perfis de acabamento, quando houver. Antes da tomada desta medida, caso o encosto possua regulagem de inclinação, ajustá-lo na posição mais vertical possível. Se o encosto possuir regulagem de altura, ajustar para que o ponto X esteja a 220 mm acima do ponto Z. Porém, se as regulagens de assento e de encosto forem conjugadas, isto é, se o aumento da profundidade do assento acarretar o aumento da altura do encosto, o valor mínimo da profundidade do assento deve ser tomado com o encosto em sua posição mais baixa, e o valor máximo, com o encosto em sua posição mais alta.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria - mauricio.paiva@target.com.br

Baseado nos documentos visitados

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