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O choque elétrico ainda mata muita gente no Brasil

Apenas em São Paulo morre, em média, uma pessoa a cada dois dias em decorrência de descargas elétricas. Quase 95% das vítimas são homens, cerca de metade deles com idade entre 30 e 49 anos. O levantamento é da Secretaria Estadual de Saúde, que registrou 167 mortes em 2010.


09/05/2012 - Equipe Target

Os perigos do choque elétrico

Especialistas estimam que a maior parte dos acidentes aconteça durante o trabalho em serviços de obra ou reparos muito próximos da rede elétrica. Na maioria das vezes, são homens e, infelizmente, sem equipamentos de proteção. Também houve um crescimento no número de internações por conta da exposição à corrente elétrica nos hospitais do Estado – foram 642 hospitalizações em 2008 e 1.031 em 2010. A maior parte das interações neste período foram em Piracicaba (2.104), São Paulo (457) e São Pedro (164), cidade localizada também na região de Piracicaba. Além da morte instantânea, as descargas elétricas podem causar várias complicações, pois as vítimas podem ter arritmia cardíaca grave causada pelo choque, destruição muscular, queimaduras de pele nas áreas de entrada e de saída da corrente elétrica pelo corpo e, tardiamente, insuficiência renal aguda. Se em São Paulo ocorre dessa forma, deve-se imaginar no resto do Brasil, em que não há dados catalogados.

Mas afinal: o que é choque elétrico? A corrente elétrica é o movimento ordenado de partículas portadoras de carga elétrica. Se isso for observado microscopicamente, pode-se ver que essas partículas estão em movimento desordenado, pois elas possuem movimento aleatório em razão da agitação térmica a qual estão submetidas. O choque elétrico é causado pela corrente elétrica que atravessa o corpo do ser humano ou de qualquer outro tipo de animal. Isso pode levar à morte, dependendo da intensidade da corrente elétrica, por isso deve-se ter muito cuidado com tomadas, fios desencapados e até mesmo a rede elétrica de distribuição de energia, pois são perigosos e com alto poder para eletrocutar uma pessoa. O que determina as consequências do choque é a intensidade da corrente elétrica, ou seja, o valor da corrente.

Deve-se lembrar que a corrente elétrica é medida no Sistema Internacional de Unidades em Ampére (A). E quais as consequências para o corpo humano dessas correntes? Uma corrente de 1mA a 10 mA pode provocar apenas uma sensação de formigamento; entre 10 mA e 20 mA, pode causar uma sensação dolorosa; maiores que 20 mA e menores que 10 mA causa dificuldades na respiração, pode causar morte por asfixia se não socorrido a tempo; superiores a 100 mA são muito perigosas com alto poder de matar, pois atacam direto o coração, fazendo com que ele funcione com rápidas contrações e de formas irregulares –é a chamada fibrilação cardíaca; e superiores a 200 mA já não causam mais a fibrilação cardíaca, mas provocam graves queimaduras e parada cardíaca.

A tensão não é um fator determinante para o fenômeno do choque elétrico. Em algumas situações, apesar dela ser relativamente grande, as cargas elétricas envolvidas são muito pequenas e em consequência disso o choque elétrico produzido não apresenta nenhum risco. Isso ocorre, por exemplo, no gerador de Van de Graaff, utilizado em laboratórios de ensino. No entanto, tensões que são relativamente pequenas podem causar sérios danos, dependendo da resistência do corpo. O corpo humano tem resistência aproximada de 100.000 ohms (Ω) com a pele seca, já com a pele molhada cerca de 1.000 Ω. Ou seja, conclui-se que com corrente elétrica não se brinca, pois suas consequências podem ser fatais.

O presidente da Target Engenharia e Consultoria e do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac), Mauricio Ferraz de Paiva, informa a existência da Norma Regulamentadora, a NR 10, que aborda sobre esses assuntos. Foi desenvolvida com os objetivos básicos de estabelecer requisitos e condições mínimas para implantação de medidas de controle e sistema preventivos, para que exista garantia da segurança e saúde dos trabalhadores que atuam em instalações elétricas e serviços com eletricidade – seja direta, ou indiretamente. Dispõe sobre as diretrizes básicas para a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos, destinados a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores e usuários que direta ou indiretamente interajam em instalações elétricas e serviços com eletricidade. Tem foco na gestão de segurança e saúde em instalações e serviços com energia elétrica e nas responsabilidades dos envolvidos no processo desde a produção até o consumo.

A norma é composta por 14 itens e distribuídos por 99 subitens, acompanhados também de três anexos (Zona de Risco e Zona Controlada; Treinamento; Prazos para Cumprimentos dos Itens da NR 10), além de um glossário. Possui uma área de aplicação abrangente, desde indústrias e instalações comerciais, até mesmo instalações residenciais, onde o profissional atuante na área de eletricidade deve estar capacitado e orientado a seguir os itens da norma aplicados à sua função. As fases de aplicação da NR 10 se estendem desde a geração, transmissão, até distribuição de consumo de eletricidade; incluindo-se etapas de projeto, construção, montagem, operação e manutenção das instalações elétricas e quaisquer trabalhos realizados em suas proximidades. Uma das principais preocupações com redes elétricas de baixa tensão, que segundo a NR 10 é aquela inferior a 1.000 volts, é a segurança das pessoas e seu adequado funcionamento para evitar choques elétricos, danificação das instalações e equipamentos elétricos.

Para mais informações sobre o curso e inscrições, clique no link:

NR 10 - Atendendo às exigências do Ministério do Trabalho - Reciclagem Obrigatória

FONTE: Equipe Target

Baseado nos documentos visitados

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