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São ilegais os serviços de reparos de equipamentos para atmosferas explosivas fora dos requisitos normativos

São ilegais as oficinas de reparo, revisão e recuperação de equipamentos que operam em atmosferas explosivas sem os requisitos normativos.

22/10/2014 - Equipe Target

Atmosferas explosivas

Mauricio Ferraz de Paiva

Para classificar uma planta industrial, é necessário determinar o tipo de substância inflamável presente no ambiente, as suas características, a probabilidade com que essa substância será liberada para o meio externo e as condições ambientais. Há vários grupos de gases, vapores inflamáveis, poeiras e fibras combustíveis que podem estar presentes na local. O Grupo II A – propano, o Grupo III A - fibras combustíveis, o Grupo II B – etileno, o Grupo III B - poeiras não condutivas, o Grupo II C - acetileno/hidrogênio e o Grupo III C - poeiras condutivas.

Para prevenir uma explosão e evitar danos irreversíveis, algumas medidas devem ser tomadas. É essencial uma gestão de áreas de risco que inclua o uso de equipamentos com a proteção apropriada para o seu ambiente e uma manutenção adequada.

Para que uma explosão possa ocorrer, uma atmosfera explosiva e uma fonte de ignição precisam coexistir. As medidas de proteção aplicadas em projetos de instalações elétricas ou de instrumentação em atmosferas explosivas objetivam reduzir a um nível aceitável a possibilidade de que uma instalação elétrica possa se tornar uma fonte de ignição.

As áreas classificadas são divididas em zonas 0, 1 e 2 para o caso de presença de gases, vapores e névoas, de acordo com a NBR IEC 60079-10-1 e em zonas 20, 21 e 22 para o caso de presença de poeiras combustíveis, de acordo com a IEC 60079-10-2. Esta divisão é realizada de forma a quantificar o risco existente, a probabilidade de presença da atmosfera explosiva no local indicado e também de forma a facilitar a seleção de equipamentos elétricos apropriados e o projeto de instalações elétricas adequadas.

Em resumo, a Zona 20 é um local onde a ocorrência de uma atmosfera explosiva é frequentemente presente. Utilizar equipamentos com nível de proteção (EPL) Da. A Zona 21 é um local onde a ocorrência de uma atmosfera explosiva pode ocorrer ocasionalmente em condições normais de operação. Utilizar equipamentos com nível de proteção (EPL) Db.

A Zona 22 é um local onde a ocorrência de uma atmosfera explosiva não é provável de ocorrer em condições normais de operação, mas se ocorrer irá persistir somente por um curto período. Utilizar equipamentos com nível de proteção (EPL) Dc.

As Zonas 2 e 22 são locais onde não é provável, em condições normais de funcionamento, a formação de uma atmosfera explosiva constituída por uma mistura com o ar, de substâncias inflamáveis sob a forma de gás, vapor, névoa ou poeira ou onde, caso se verifique, essa formação seja de curta duração. Utilizar equipamentos com EPL Gc ou Dc.

As Zonas 1 e 21 são áreas onde é provável, em condições normais de funcionamento, a formação ocasional de uma atmosfera explosiva constituída por uma mistura com o ar, de substâncias inflamáveis sob a forma de gás, vapor, névoa ou poeira. Utilizar equipamentos com EPL Gb ou Db.

As Zonas 0 e 20 são áreas onde existe permanentemente, durante longos períodos de tempo, ou frequentemente, uma atmosfera explosiva constituída por uma mistura com o ar de substâncias inflamáveis sob a forma de gás, vapor, névoa ou poeira. Utilizar equipamentos com EPL Ga ou Da.

Quando os equipamentos elétricos ou de instrumentação ou não elétricos (mecânicos) são destinados a serem instalados em áreas em que concentrações perigosas e quantidades de gases inflamáveis, vapores, névoas ou poeiras possam estar presentes na atmosfera, medidas de proteção são aplicadas para reduzir a possibilidade de explosão devido à ignição por arcos, centelhas ou superfícies quentes, produzidas tanto em operação normal ou sob condições de falha especificadas. Em qualquer instalação industrial, independentemente do tamanho, complexidade ou porte, podem existir muitas outras fontes de ignição, além daquelas associadas com equipamentos elétricos ou de instrumentação.

Dessa forma, as avaliações de risco e medidas adicionais podem ser necessárias para eliminar o perigo devido a outras fontes de ignição possíveis, incluindo equipamentos mecânicos, como bombas, ventiladores, compressores, caixas redutoras de engrenagem, centrífugas, esteiras rolantes e elevadores. Recomenda-se, dentro das possibilidades técnicas da instalação, que os equipamentos elétricos, eletrônicos e mecânicos, sempre que possível, sejam instalados em áreas não classificadas. Há várias NORMAS TÉCNICAS que são aplicáveis e obrigatórias para gerenciar os riscos desses ambientes.

Enfim, para garantir a segurança de uma planta industrial é de extrema importância classificar as áreas de risco e adquirir os equipamentos adequados. Mas, isso não é suficiente. Para manter a área sempre segura é necessário realizar serviços de reparo, revisão e recuperação no seu motor, em oficinas que atendam às normas técnicas. O uso de equipamentos reparados em uma oficina, que não atenda os requisitos normativos e os exigidos pela legislação, deixará o usuário e a oficina sujeitos às penalidades legais. Além da possibilidade do não pagamento de sinistro pela seguradora.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria - mauricio.paiva@target.com.br

Baseado nos documentos visitados

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